sábado, 4 de outubro de 2014

Passando Pelas Experiências


Confesso que a instigante frase do filósofo Albert Camus dizendo que "não se pode criar experiência. É preciso passar por elas", tem aberto portas angustiantes em mim. Pois, é muito mais cômodo e simples criarmos as experiências que gostaríamos de passar. Seria algo muito frio, sem aventura, sem adrenalina e sem explosão, se pudéssemos como um passe de mágica selecionarmos etapas de nossas vidas para degustá-las de suas experiências. Acho que seria como degustar um bom e saboroso café sem a experiência do preparo. Tanto quem preparou, como quem só está saboreando, sentirão do mesmo aroma e do mesmo gosto de café, porém, aquele que participou de todo o processo tem mais propriedade ao tomá-lo. Pois, o café passa a ser mais seu, tem mais verdade em seu saborear.
Nosso vínculo com a experiência é construído desde a gestação e nunca pára de acontecer. São explosões de metamorfoses que nos forçam para caminhos novos e extasiantes, horizontes de descobertas e de projeções angustiáveis. Não quero dizer que somos uma espécie de cobaias humanas da vida. Mas, temos que ter a audácia oportuna de perceber o que dizia Vinicius de Moraes "quem já passou por esta vida e não viveu. Pode ser mais mas sabe menos do que eu porque a vida só se dá pra quem se deu". Se dá pra quem se deu, não seria, se dá para as experiências? Então, somos seres experimentais o tempo todo. Não as criamos, simplesmente elas acontecem quando resolvemos nos dá sem medo. Quando resolvemos passar por elas com desejos insaciáveis de novidades. 
A importância de passarmos pelas experiências é que nos possibilitam ajustes, crescimento humano e limites de nossa humanidade. São nossas raras oportunidades de compôr versos, rasgar coisas prontas e achar outras amargas demais para continuar. Oportunidades que temos de ver o quanto que as malas existenciais estão pesadas e que são impróprias para carregar. Que temos dado importância demais à objetos, que temos amontoado toneladas de lixos sentimentais. Que temos nos preocupado muito com o tempo, que temos desvalorizado amigos, que temos déficit de nós mesmos.  

Jefferson Vale

terça-feira, 30 de setembro de 2014


É preciso se ver pra além de nós. Se ver pra além é um distanciamento do comum, para permitir um real encontro com o incomum. Não sei se posso chamar isso de encontro ou de tentativa. Se ver para além requer demora, aprofundamento e busca. O comum é o habitat sem experimentos, cultivador de ciclos, de frutos que já caiu no chão do esquecimento. O incomum é a nostalgia da pergunta, do que não está pronto, do processo. Espero que o resultado disso tudo me traga diferentes interpretações, provocadora de novos sentidos e anseio de vida.

Jefferson Vale

Um Dia Diferente dos Outros



Começamos o dia querendo o melhor dele. Nossa tentativa é extrair o que ele pode nos oferecer de melhor. Ouvir os pássaros anunciando seu nascimento. O orvalho dando boas vindas ao sossegado tempo. O vento frio orquestrando o movimento das flores ao redor do campo. Talvez, caiba uma leitura com um bom e forte café. Talvez, caiba se encher das informações amargurantes da selva de pedra que vivemos. Ou, é melhor se plenificar de poesia, nos tornando muito mais entusiastas e sonhadores.

Tudo até vai bem, até...

Descobrir que o dia pode nos trair! Sim! Ele pode nos trair. Conservar o que tem de mais amargo para seu quase final. Destilar seu veneno no que chamamos de vida. Desvendar as mais profundas sensações de ser frágil, limitado e humano.

Pergunto assombrado ao senhor dia: o que houve senhor dia? Por que andas de tão grande mau humor? Por acaso, desconhece-me? Por acaso, fiz-te alguma coisa inconveniente?

O dia responde-me sagazmente: absolutamente senhor! Sou o dia. Posso variar. Posso ser varrido pelo amigo vento e o parceiro clima de um lugar para outro e mudar de face. Mais, continuo sendo o dia. Ofereço-me sempre. Talvez, seja igual para você. Talvez, você seja tão previsível, não é?

Respondo ao senhor dia: sim! Como não pensei isso senhor dia? A vida passando bem diante de mim e estou a reclamar de ti? Só quero o teu melhor, só quero coisas boas de ti, um dia diferente dos outros.

E o dia responde: pois é, vai entender esses humanos. Um dia querem uma coisa, outro dia, não sabem que querem. Continuo sendo o dia. Eles continuam sendo humanos. Faltando-lhes um maneira diferente de olhar.

Jefferson Vale

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Um Pouco do Pe Antônio Vieira


Nem todos os anos que passam se vivem: 
uma coisa é contar os anos, outra é vivê-los.

Um Pouco do Pe Antônio Vieira

"Nós somos o que fazemos. O que não se faz não existe. Portanto, só existimos nos dias em que fazemos. Nos dias em que não fazemos apenas duramos."