Começamos o dia querendo o melhor dele. Nossa tentativa é extrair o que ele pode nos oferecer de melhor. Ouvir os pássaros anunciando seu nascimento. O orvalho dando boas vindas ao sossegado tempo. O vento frio orquestrando o movimento das flores ao redor do campo. Talvez, caiba uma leitura com um bom e forte café. Talvez, caiba se encher das informações amargurantes da selva de pedra que vivemos. Ou, é melhor se plenificar de poesia, nos tornando muito mais entusiastas e sonhadores.
Tudo até vai bem, até...
Descobrir que o dia pode nos trair! Sim! Ele pode nos trair. Conservar o que tem de mais amargo para seu quase final. Destilar seu veneno no que chamamos de vida. Desvendar as mais profundas sensações de ser frágil, limitado e humano.
Pergunto assombrado ao senhor dia: o que houve senhor dia? Por que andas de tão grande mau humor? Por acaso, desconhece-me? Por acaso, fiz-te alguma coisa inconveniente?
O dia responde-me sagazmente: absolutamente senhor! Sou o dia. Posso variar. Posso ser varrido pelo amigo vento e o parceiro clima de um lugar para outro e mudar de face. Mais, continuo sendo o dia. Ofereço-me sempre. Talvez, seja igual para você. Talvez, você seja tão previsível, não é?
Respondo ao senhor dia: sim! Como não pensei isso senhor dia? A vida passando bem diante de mim e estou a reclamar de ti? Só quero o teu melhor, só quero coisas boas de ti, um dia diferente dos outros.
E o dia responde: pois é, vai entender esses humanos. Um dia querem uma coisa, outro dia, não sabem que querem. Continuo sendo o dia. Eles continuam sendo humanos. Faltando-lhes um maneira diferente de olhar.
Jefferson Vale