segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Transitoriedade x Eternidade


Nossa existência é sustentada por coisas que são tão transitórias, mas, que são tão eternas. Acho que transitoriedade e eternidade fecundam-se no ambiente da vida para nos dizer algo bem peculiar: se na realidade o tempo passa sendo a chave que tranca e desespera, no inconsciente cada um de nós está convicto de imortalidade, sendo a chave que liberta e traz leveza.  Como bem explica Freud: o tempo do inconsciente não é um tempo que passa, é um “outro tempo”, o tempo da “mistura dos tempos”, o tempo do “só depois”, o “tempo da ressignificação”.

Jefferson Vale

Tudo Que Já Me Passou


Tantas coisas que já passaram! Tantas coisas que continuam a passar ! Coisas novas passarão mesmo sem querer. Como uma avalanche avassaladora, o tempo mostrou-me tantas experiencias desconsertantes. Bem que tentei caminhar por elas, mas, tudo agora é coisa do passado, da escravidão da saudade, do castelo da dor, do fato consumado e da foice que corta impiedosamente as raízes das lágrimas.  
Deixei de falar tantas palavras bonitas pra quem amava. Deixei de beijar pessoas que honestamente iria me fazer mais feliz. Fui tão presunçoso em tantos percussos da existência. Me sinto tão cobrado de não ser mais simples e de tomar tão poucos banhos de chuva para lavar a alma. Já tentei aparecer tanto e, tantas coisas que me fiz desapercebido e que agora o vento vai levando tudo embora.
Não sei explicar como tudo isso agora está dentro de mim! Como tudo está se processando agora! Parece que todas as gavetas do pensamento combinaram para uma faxina inesperada. Acho apenas que foi só o tempo que errou! Que tudo deveria mesmo ir embora, transitar por mim para um equilíbrio distante. É estranho e frágil pensar tudo que já me passou!  
Mais há algo que sempre diz: se entregar é uma boubagem! Pois, o vento sabe desfolhar as árvores, mais a primavera sabe repor tudo no seu lugar e isso fará sentir-me menos mal.

Jefferson Vale

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Imagine


Imagine que não há paraíso
É fácil se você tentar
Nenhum inferno abaixo de nós
Acima de nós apenas o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje


Imagine não existir países
Não é difícil de fazer
Nada pelo que matar ou morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz


Você pode dizer
Que sou um sonhador
Mas não sou o único
Tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo será como um só


Imagine não existir posses
Me pergunto se você consegue
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade do Homem
Imagine todas as pessoas
Compartilhando todo o mundo


Você pode dizer
Que sou um sonhador
Mas não sou o único
Tenho a esperança de que um dia
Você se juntará a nós
E o mundo viverá como um só

John Lennon

quinta-feira, 25 de junho de 2015

A Estrada Dos Meus Sonhos

Todo conhecimento começa com o sonho.
O sonho nada mais é que a aventura pelo mar desconhecido, em busca da terra sonhada. Mas sonhar é coisa que não se ensina, brota das profundezas do corpo, como a alegria brota das profundezas da terra. Como mestre só posso então lhe dizer uma coisa. Contem-me os seus sonhos para que sonhemos juntos. (Rubem Alves)

Sonhar é acordar-se para dentro. (Mário Quintana)

A todo momento a mente humana anda poluída de pensamentos de diversas naturezas. São pensamentos acadêmicos, sexuais, profissionais, sarcásticos entre outros, entretanto, são poucos os que ainda possuem suas mentes poluídas de sonhos. Já dizia o enredo do carnaval de 1992 da Mocidade Independente que "sonhar não custa nada...", "... deixe sua mente vagar..." e "... estrela que me faz sonhar...". São inúmeros os trechos, enredos, livros e poesias que gravitam envolto dessa máxima, que já inspirou de poetas a escritores, de compositores a atrevidos de expressarem pensamentos.
Fato é que, o sonho é muito mais que um pensamento que vaga nos mares agitados de um navio sem rota e leme. Sonhar é um submarino que submerge nas profundezas das águas ao seu redor, considerando que mesmo para algo idealizado para mergulhar nas mais densas profundezas, existem limites que não podem ser ultrapassado.Tenho conhecido pessoas que se tornaram incapazes de sonhar. Aliás, tenho presenciado uma geração ocas de sonhos, lamentavelmente.
Porém, ainda temos aqueles e aquelas que nomearei como "os teimosos" que fizeram de seus sonhos rastos de superação, empenho e conquistas. Sem dúvida, os teimosos conseguiram plantar as poucas e raras sementes, enraizado-as nas terras hostis e improdutivas a produzir marcas extraordinárias e construtora de estradas sonhantes. Precisamos ter pressa para sonhar!
O que pretendo fazer aqui não é inventar um novo conceito para os nossos sonhos e, nem reproduzir as famosas frases sobre o assunto. O que pretendo mesmo é ousar em caminhar nas estradas dos meus sonhos sem medo e pressão para realizar sobre qualquer custo. Ao contrário do enredo, sonhar custa e muito caro. Colocar aquilo que se "idealiza" para uma "realização" é tarefa para teimosos! 
O natural é ficarmos retidos sobre as inúmeras maneiras do não acontecer, das dificuldades e das probabilidades de não dar certo. Sempre nos anulamos nisso, nas chances de nunca acontecer nada. Nos distanciamos do real sentido de sonhar! Como eu posso seguir em frente? Como eu posso seguir em frente desse jeito?
Os sonhos sempre devem serem promotores de vida! Fontes de utopia! Mais sempre acompanhados de projetos concretos no aqui e agora. Por isso, proponho a estrada como o simbolo mais nítido do sonho. Sem ela, não temos para onde ir fazendo com que erremos o trajeto. É preciso sonhar, mesmo que nos leve apenas a estrada para caminhar. Sonhar deve ser sempre o que nos conduz, nunca apenas um lugar para chegar. Sendo assim, trancarei meus sonhos dentro de mim, e, transformarei cada um deles no alimento do meu dia após dia, para só então, nutrir aquilo que mais acredito.

Sonhar não custa nada
o meu sonho é tão real
Mergulhei nessa magia
era tudo que eu queria
Para esse carnaval
Deixe a sua mente vagar
Não custa nada sonhar
Viajar nos braços do infinito
Onde tudo é mais bonito
Nesse mundo de ilusão
Transformar o sonho em realidade
E sonhar com a Mocidade
E sonhar com o pé no chão

Estrela de luz
Que me conduz
Estrela que me faz sonhar

Amor, sonhe com os anjos (não se paga)
Não se paga pra sonhar
Eu sou a noite mais bela
que encanta o teu sonho
Te alucina por te amar (amar, amar)
Eu, sou a lua de mel
A estrela no céu
Vem me querer
                              (Paulinho Mocidade, Dico da Viola e Moleque Silveira)      

Jefferson Vale                                                                                                                                                        

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Estou Tão Cançado



Estou tão cançado,
cançado de ver tanta coisa desumana na televisão
cançado de tamanha corrupção
cançado de tremenda desunião
cançado de tanta passividade
cançado da abismal desesperança
cançado da grosseira desigualdade
cançado de brutal intolerância
cançado do diabólico poder.

Estou tão cançado,
cançado da mentirosa política
cançado da burra educação nas escolas
cançado da estúpida gestão social
cançado dos apertados hospitais sem leito
cançado das luxuosas moradias dos ricos
cançado de respirar o poluído ar das descargas dos carros
cançado do alienante capitalismo.

Estou tão cançado,
cançado da falta de compreensão da poesia
cançado do pouco incentivo a ler
cançado da alta procura do vazio
cançado da absurda procura do prazer apenas em coisas
cançado da desnutrição do diálogo
cançado das intrigas entre amigos
cançado do ambiente familiar sem liberdade.

Estou tão cansado,
cançado... e cançado...
onde tudo isso e muito mais se resume:
cançamos de QUERER AMAR.

Jefferson Vale
   


quinta-feira, 4 de junho de 2015

Mil Pedaços Que Sou

Em umas das belíssimas músicas do irreverente e extraordinário Renato Russo, "Mil Pedaços", do álbum "A Tempestade", que parece mais a dualidade entre a explosão platônica da experiência do amor com uma pessoa (sua presença) e a surpresa de saber que pode ser que não dure para sempre (sua perda). É quando se apresenta a falta, o silêncio dos ambientes e o encontro com a sem graça da solidão. Assim simplifica Renato: "Porque me quebraste em mil pedaços". O que se esperava durar para sempre, encontrou-se com o inesperado término, rasgando por inteiro o ser.
Dizem os críticos que o CD A Tempestade, foi composto no auge da crise do esplendido autor, que veio a falecer pouco tempo depois. Encaro esse álbum não apenas como melancólicas melodias, mais como a forma mais bela de um poeta mostrar de uma forma que poucos estão acostumados a ver.
Sabe, não sei se precisamos em algum momento enfrentar tal dureza de quebradura, se realmente é necessário para tal mortais descobrir que nem tudo dura pra sempre. Que somos transição, inacabados, inexperientes até para coisas e situações que teimamos em dizer que não. Acho que estamos condenados a busca! Que coisas que vivemos rasgam nosso ser sim! Não importa o diâmetro ou espessura de tal pedaço, seja o que viveu ou que deixou de viver, fere ou alivia, alegra ou entristece, esquece ou deixa muitas saudades. Cada um de nós já trilhou ou ainda trilhará por caminhos como estes. A sensação é realmente o da folha de caderno que não temos a paciência de verificar seu conteúdo ou por conter erros e vamos logo rasgando em mil pedaços de variáveis  tamanhos. Não temos como colar mais os pedaços que já tiveram a experiência da rigidez da separação do seu antigo estado, pois, há coisas que realmente deve pertencer apenas ao passado.
Então, o que nos resta? Resta seduzir mais a vida para que tenhamos mais coragem de saboreá -la! Que o nosso ser poderá ser rasgado em mil pedaços, pois, os percausos sempre teremos pelo caminho, mais que também poderá ser pleno! É quando matamos a sede da alma com águas repleta de vida. Ousadamente classifico como de tesão pelo respirar e fazer de cada momento como esse a única regra para continuar a seguir vivendo, caso contrário, os pedaços que se rasgaram não serviram de nada. Isso
          
Jefferson Vale

segunda-feira, 4 de maio de 2015


Nesta vida temos três professores importantes: o Momento Feliz, o Momento Triste e o Momento Difícil. O Momento Feliz mostra o que não precisamos mudar. O Momento Triste mostra o que precisamos mudar. O Momento Difícil mostra que somos capazes de superar.
                                         Roberto Shinyashiki

Estamos Perdendo Tempo Demais

Esses dias fui fazer a minha velha e saudável corrida perto da minha casa, como é habitual. O que  de fato não contava, era com um final de dia extremamente anormal. A poucos passos, depois de um breve aquecimento, deparei-me com um cenário arrebatador. 
Um pôr do sol desnublante, inigualável e espetacular. Não deu mais para correr de imediato depois que apreciei tal preciosidade da natureza perante meus olhos, gratuito e sem igual. Basta parar para olhar e mais nada. O problema é que estamos ocupados demais para apreciar isso. Estamos abarrotados de coisas que bloqueiam o olhar para a essência do que é belo. Em poucos passos apreciando a vista, percebi o quanto o mundo está "doído"! Estamos ocupados demais! Apressados demais! Estressados demais! Insensíveis demais para ver um pôr do sol, pois, não é muito importante isso, não nos dá lucro, sucesso e prestígio. Percebi que só nos importamos de fato com aquilo que podemos ter vantagem. É impressionante como perdemos a sensibilidade de enxergar a expressão exuberante da natureza que se oferece todos os dias bem perto de cada um de nós.
Fiquei perplexo, de como as pessoas no mesmo lugar que estava, não se importavam para a cena linda que tomou conta de meus olhos. As pessoas passavam o tempo todo carregando coisas, animais, celulares, de carro, de moto, de bicicleta, com carrinho de bebê e etc, mais completamente cegas para cena que estava bem diante de cada um. A impressão é que estamos aprisionados pela ilusão do comum, que isso tem todos os dias que amanhã posso parar pra ver. Não sei até que ponto podemos sustentar tal prerrogativa. Talvez, estamos mesmo é precisando de óculos pra ver, já que nosso olhar está embaçado demais para contemplação. As coisas fúteis tem paralisado nossa existência!
Fico me perguntando, se realmente não estamos enxergando ou estamos sem tempo mesmo de parar pra ver? Se esse exame estiver mesmo certo, acho que chegamos ao estágio de empurrar a vida pro nada, pois, o nada e não enxergar ou não ter tempo do que a vida e o mundo tem de tão belo são as mesmas coisas. Como bem nos lembra José Saramago que "o egoísmo pessoal, o comodismo, a falta de generosidade, as pequenas cobardias do quotidiano, tudo isto contribui para essa perniciosa forma de cegueira mental que consiste em estar no mundo e não ver o mundo, ou só ver dele o que, em cada momento, for susceptível de servir os nossos interesses. Então, coube a mim, em um intrigante despertar, registrar isso como a intensa forma de saber que aquilo que estava perante os meus olhos é o único momento que se tem, para os que ainda querem ver. Devemos transformar o que temos perdido numa festa interminável de tempo de aproveitar, sem ligar para o relógio, calendário, agenda ou imposições adquiridas de tudo que já estamos pra lá de acostumados. Será que isso ainda é possível ou só conseguiremos fazer isso depois da morte?

Vida louca vida
Vida breve
Já que eu não posso te levar
Quero que você me leve (Cazuza)

Jefferson Vale

terça-feira, 17 de março de 2015

O Vazio Dos Púlpitos Evangélicos


Se a massa evangélica é entretida pelos longos e agitados louvores, onde se exploram as emoções e se desgastam clamores sem sentido nenhum, os púlpitos por sua vez, também tem seu lugar de destaque nas reuniões atuais. Se sua origem vem dos templos pagãos, ou foi constituído pela igreja católica medieval, ou repaginado pela reforma na utilização da pregação dos ex padres agora críticos da igreja medieval dominante ou, depois da expansão missionária dos americanos e europeus pelo mundo impregnando suas culturas e costumes não me importa nessa reflexão.

O que vem chamando minha atenção é, exatamente, a dimensão e relevância que se deu a tal objeto. Divinizado em algumas denominações, como intocáveis em outras. Ainda para piorar, destaco o vazio dos que se utilizam de tal lugar de destaque, sendo estes padres, pastores, apóstolos e bispos (não sei se de fato essa é a ordem hierárquica correta, e, isso pouco me importa aqui), e a falta de criatividade desse ilustre lugar que discorre o sermão em um termo mais técnico das igrejas.

Os púlpitos tem se tornado o lugar dos pastores comedy, de jargões bem elaborados, distribuidores de "bem querer", apresentadores animadores, galanteadores e plagiadores dos oradores mais famosos da mídia. O que vale hoje é se o pregador fez a massa rir ou se fez a massa chorar oriundo utilização do púlpito. Se depois da reunião a pregação não for a conversa das cantinas, banheiros e pátios o pregador não atingiu o objetivo da noite. O púlpito tornou-se um lugar sem graça. Transformou-se no melhor marketing das igrejas que querem abarrotarem seus templos ou de oportunistas que querem fama e falam o que o povo quer ouvir. Em minha humilde opinião, que a pouco tempo experimentou desse mesmo objeto que destaca essa reflexão, os púlpitos tem sido pobres, ocos e inativos.

As pregações tem sido chulas, inférteis e cansativas. Não há espaço para recitar a poesia da vida que está registrado no texto sagrado. Não há espaço para ser criativo. Não há espaço para inovar. Os púlpitos tem se tornado fundamentalistas, frios e distantes. Talvez eu esteja sendo muito exigente nessa reflexão, talvez sim! Mais desde que deixei de pregar no púlpito e parei para ouvir com atenção os sermões dos caros pregadores, sinto dor nos ouvidos dos absurdos que circulam. Nunca em meu tempo pastoral e de pregador, achei que era o rei dos sermões, entretanto, fazia de tudo pra ser o mais simples e entendível possível. Sempre cuidei para não ser mais um repetidor das ideias do vento!

Não quero ser injusto nessa reflexão em dizer que todos os pregadores que utilizam do púlpito é uma negação e insuportável de ouvir. Ainda tem aqueles que salvam a pátria! São aqueles que ainda tem a coragem de saborear as palavras importando com os seus significados e com aquilo que estão por trás dela, que  nos compartilha de uma boa reflexão critica teológica e das ciências que correlacionam - se articulada na ortopraxia de amar a Deus-outro-eu. 

Talvez, essa frase do celebre poeta e orador George Herbert defina melhor o que tentei articular no presente texto: "Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores do que o teu silêncio, e lembre-se que alto deve ser o valor de suas idéias, não o volume de sua voz. Falar sem pensar é disparar sem apontar". 



Jefferson Vale
          

Um Tempo Para Reciclar

Em um tempo em que o planeta clama e chora por cuidado, o tema da reciclagem vem tomando conta das páginas e enquetes dos telejornais de sucesso e programas matutinos. Sem dúvida, ainda tem uma grande parcela sonolenta para o tema, mas, é notável que vem se avolumando mesmo que timidamente, a reciclagem no dia a dia das pessoas.
Esse tema tem tomado conta de mim. Incomodando-me, transitando dentro de mim de maneira avassaladora. Comecei a perceber a grande importância de reciclar - me. É preciso tirar um tempo pra isso! Um tempo, sem a pressão de obter a resposta pronta, imediata e confortável. Tempo para rever, ver, olhar sem ver e ver sem precisar olhar.
Não é fácil atingirmos esse ápice tão favorável assim. Aliás, nada é fácil! Só o fato de saber que precisa do exercício da reciclagem, já é um calvário sem precedentes. Reciclar a caminhada sempre é preciso!
Precisamos saber para onde estamos indo e, o que nos motiva realmente a seguir. Reciclar a mente, reorganizando pensamentos, priorizando o diálogo com algumas das loucuras perdidas em nós. Como dizia Jung " ser normal é a meta dos fracassados". Cansei da normalidade! Talvez, seja por isso que Raul Seixas cantava:  " Eu vou ficar, ah! ficar com certeza maluco beleza".
Precisamos da reciclagem que tem como ponto de partida o conheça-te a ti mesmo para se formar a grande dúvida: será que me conheço o suficiente? Reciclar exige trabalho! Nos instiga, tira o sono, despersonifica (causa desordem).
Há coisas que se toma uma proporção que nos afasta de nós mesmos. Nos afasta de coisas que gostamos, curtimos e admiramos. Um tempo para reciclar não é só buscar sentido, é, também, buscar nosso ponto de partida. É um simbolismo de voltar ao ventre. Um tempo para reciclar é um tempo de abandono. De despir a alma, de tirar as sandálias dos pés e sentir no que se pisa. Um tempo para reciclar é tempo de passear de mãos dadas com o ser-em-si, sem a pressão de ser uma figura cheia de vento.
Um tempo para reciclar! Que seja esse o tempo de transcender o casulo da normalidade e de renascer na estrada da coragem de viver.

Jefferson Vale