Por que “somar” Filosofia e Teologia, é, sem
dúvida, um viés que corta toda a história cristã? Alguns questionamentos possíveis seriam: só a
teologia é capaz de pensar a cristologia? Há outras cristologias além da
dogmática? Que a nossa formação cristã tem uma boa base de seu conteúdo da
Filosofia de Platão, Aristóteles, Decartes, entre outros, é patente. Quantos teólogos e filósofos, já tentaram e
tentam até hoje, racionalizar a fé. Ou, quem sabe, “compreender” a fé. Talvez,
não seja bem isso que o texto quer considerar, mas para Kant, essas Filosofias
vão se somando e abrindo campos cada vez mais extensos. Até onde pode ir essa
extensão? Qual seria o seu objetivo? Essas seriam algumas perguntas que
certamente surgiria.
Juan Luiz Segundo emprega a questão da
especialização das ciências. Essas ciências, que antes se englobavam na
filosofia, agora vão se tornando “independentes”, eu diria, vão se utilizando
de outras formas, vão criando outros métodos (medição e pesquisa), cada uma no
seu campo do saber, através de suas experiências (medição empírica).
Fé e ciência devem ser domínios
separados, mas devem trabalhar levando-se em conta. Porque afinal, hoje
percebemos que os seus métodos são na verdade próximos e complementares: nem a
ciência nem a teologia podem pretender objetividade. A teologia não pode
conhecer Deus nele mesmo, e o objeto de seu estudo é a relação entre Deus e o
homem; da mesma forma, a ciência pode apenas estudar a relação entre a
realidade física e o homem, porque a mecânica quântica prova que a intervenção
humana modifica irremediavelmente os dados e coloca o real fora de nossas
possibilidades.
O que estudam o cientista e o teólogo é
então definitivamente o humano, em suas relações com a natureza e a
“sobrenatureza”. E as conclusões a que podem chegar ciência e teologia, no fim
de contas, situam o teólogo muito próximo do cientista autêntico e com um
mínimo de sensibilidade humana. O teólogo precisa reinterpretar sempre as
escrituras da revelação, mas partindo e visando a realidade sócio-natural – que
é interpretada pela ciência. Quanto mais a ciência progride, mais ela deixa
entrever uma ligação íntima entre o material e o espiritual.
O “como” da ciência e o “por quê” da
teologia são intimamente ligados. A teologia tem necessidade da ciência para
progredir e está convocada para a grande unificação do saber a que todos
aspiram hoje. A Igreja pode falar do divino somente apoiando-se sobre o que se
descobriu sobre o universo.
Aprofundando a sua busca por uma interpretação libertadora do
dogma, Juan Luis Segundo resumiu as relações da teologia com as filosofias e
ciências. Ele demonstrou que o cristianismo, ao inculturar-se no mundo
greco-romano, relevou a linguagem do hebraísmo para inserir sua mensagem na
cultura digital que se lhe afigurou e serviu-se do monismo filosófico que
crescia aí para fazer apologia do seu monoteísmo. Porém, Segundo perguntou se a
lógica do ser e das causas não estava subestimando o saber poético e intuitivo
do amor, que é o cerne da experiência cristã, e defendeu a idéia de que um
dualismo “que não seja preguiçoso, mas cauteloso” poderia suplantar, com
vantagens, o monismo que, de um modo geral, reinou na história da filosofia e
da teologia.
Termino suspeitando que, segundo nos sugere um desenvolvimento de
um diálogo com Deus. Sem dramaticidade envolvente, sem técnica elaborada
(sobrenatural), mas, que passa pelo inteligível (metanoia do grego), não deixando de ser por fé.