terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O “como” da ciência e o “por quê” da teologia


Por que “somar” Filosofia e Teologia, é, sem dúvida, um viés que corta toda a história cristã? Alguns questionamentos possíveis seriam: só a teologia é capaz de pensar a cristologia? Há outras cristologias além da dogmática? Que a nossa formação cristã tem uma boa base de seu conteúdo da Filosofia de Platão, Aristóteles, Decartes, entre outros, é patente.  Quantos teólogos e filósofos, já tentaram e tentam até hoje, racionalizar a fé. Ou, quem sabe, “compreender” a fé. Talvez, não seja bem isso que o texto quer considerar, mas para Kant, essas Filosofias vão se somando e abrindo campos cada vez mais extensos. Até onde pode ir essa extensão? Qual seria o seu objetivo? Essas seriam algumas perguntas que certamente surgiria.
Juan Luiz Segundo emprega a questão da especialização das ciências. Essas ciências, que antes se englobavam na filosofia, agora vão se tornando “independentes”, eu diria, vão se utilizando de outras formas, vão criando outros métodos (medição e pesquisa), cada uma no seu campo do saber, através de suas experiências (medição empírica).
Fé e ciência devem ser domínios separados, mas devem trabalhar levando-se em conta. Porque afinal, hoje percebemos que os seus métodos são na verdade próximos e complementares: nem a ciência nem a teologia podem pretender objetividade. A teologia não pode conhecer Deus nele mesmo, e o objeto de seu estudo é a relação entre Deus e o homem; da mesma forma, a ciência pode apenas estudar a relação entre a realidade física e o homem, porque a mecânica quântica prova que a intervenção humana modifica irremediavelmente os dados e coloca o real fora de nossas possibilidades.
O que estudam o cientista e o teólogo é então definitivamente o humano, em suas relações com a natureza e a “sobrenatureza”. E as conclusões a que podem chegar ciência e teologia, no fim de contas, situam o teólogo muito próximo do cientista autêntico e com um mínimo de sensibilidade humana. O teólogo precisa reinterpretar sempre as escrituras da revelação, mas partindo e visando a realidade sócio-natural – que é interpretada pela ciência. Quanto mais a ciência progride, mais ela deixa entrever uma ligação íntima entre o material e o espiritual.
O “como” da ciência e o “por quê” da teologia são intimamente ligados. A teologia tem necessidade da ciência para progredir e está convocada para a grande unificação do saber a que todos aspiram hoje. A Igreja pode falar do divino somente apoiando-se sobre o que se descobriu sobre o universo.
Aprofundando a sua busca por uma interpretação libertadora do dogma, Juan Luis Segundo resumiu as relações da teologia com as filosofias e ciências. Ele demonstrou que o cristianismo, ao inculturar-se no mundo greco-romano, relevou a linguagem do hebraísmo para inserir sua mensagem na cultura digital que se lhe afigurou e serviu-se do monismo filosófico que crescia aí para fazer apologia do seu monoteísmo. Porém, Segundo perguntou se a lógica do ser e das causas não estava subestimando o saber poético e intuitivo do amor, que é o cerne da experiência cristã, e defendeu a idéia de que um dualismo “que não seja preguiçoso, mas cauteloso” poderia suplantar, com vantagens, o monismo que, de um modo geral, reinou na história da filosofia e da teologia.
Termino suspeitando que, segundo nos sugere um desenvolvimento de um diálogo com Deus. Sem dramaticidade envolvente, sem técnica elaborada (sobrenatural), mas, que passa pelo inteligível (metanoia do grego), não deixando de ser por fé.

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