
Se a massa evangélica é entretida pelos longos e agitados louvores, onde se exploram as emoções e se desgastam clamores sem sentido nenhum, os púlpitos por sua vez, também tem seu lugar de destaque nas reuniões atuais. Se sua origem vem dos templos pagãos, ou foi constituído pela igreja católica medieval, ou repaginado pela reforma na utilização da pregação dos ex padres agora críticos da igreja medieval dominante ou, depois da expansão missionária dos americanos e europeus pelo mundo impregnando suas culturas e costumes não me importa nessa reflexão.
O que vem chamando minha atenção é, exatamente, a dimensão e relevância que se deu a tal objeto. Divinizado em algumas denominações, como intocáveis em outras. Ainda para piorar, destaco o vazio dos que se utilizam de tal lugar de destaque, sendo estes padres, pastores, apóstolos e bispos (não sei se de fato essa é a ordem hierárquica correta, e, isso pouco me importa aqui), e a falta de criatividade desse ilustre lugar que discorre o sermão em um termo mais técnico das igrejas.
Os púlpitos tem se tornado o lugar dos pastores comedy, de jargões bem elaborados, distribuidores de "bem querer", apresentadores animadores, galanteadores e plagiadores dos oradores mais famosos da mídia. O que vale hoje é se o pregador fez a massa rir ou se fez a massa chorar oriundo utilização do púlpito. Se depois da reunião a pregação não for a conversa das cantinas, banheiros e pátios o pregador não atingiu o objetivo da noite. O púlpito tornou-se um lugar sem graça. Transformou-se no melhor marketing das igrejas que querem abarrotarem seus templos ou de oportunistas que querem fama e falam o que o povo quer ouvir. Em minha humilde opinião, que a pouco tempo experimentou desse mesmo objeto que destaca essa reflexão, os púlpitos tem sido pobres, ocos e inativos.
As pregações tem sido chulas, inférteis e cansativas. Não há espaço para recitar a poesia da vida que está registrado no texto sagrado. Não há espaço para ser criativo. Não há espaço para inovar. Os púlpitos tem se tornado fundamentalistas, frios e distantes. Talvez eu esteja sendo muito exigente nessa reflexão, talvez sim! Mais desde que deixei de pregar no púlpito e parei para ouvir com atenção os sermões dos caros pregadores, sinto dor nos ouvidos dos absurdos que circulam. Nunca em meu tempo pastoral e de pregador, achei que era o rei dos sermões, entretanto, fazia de tudo pra ser o mais simples e entendível possível. Sempre cuidei para não ser mais um repetidor das ideias do vento!
Não quero ser injusto nessa reflexão em dizer que todos os pregadores que utilizam do púlpito é uma negação e insuportável de ouvir. Ainda tem aqueles que salvam a pátria! São aqueles que ainda tem a coragem de saborear as palavras importando com os seus significados e com aquilo que estão por trás dela, que nos compartilha de uma boa reflexão critica teológica e das ciências que correlacionam - se articulada na ortopraxia de amar a Deus-outro-eu.
Talvez, essa frase do celebre poeta e orador George Herbert defina melhor o que tentei articular no presente texto: "Quando falares, cuida para que tuas palavras sejam melhores do que o teu silêncio, e lembre-se que alto deve ser o valor de suas idéias, não o volume de sua voz. Falar sem pensar é disparar sem apontar".
Jefferson Vale
