terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Uma Análise da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios em Helmut Köester
Seria 1 coríntios, uma carta, onde Paulo concentrou sua energia em exortar aos coríntios sobre a moral e a individualidade? Qual seria a verdadeira ênfase do apóstolo em relação aos coríntios? Quantas Igrejas havia em coríntios? Por que, uns eram de Paulo, outros de Cefas (Pedro), outros de Apolo, e, outros de Cristo? Por que Paulo fala tanto na epístola sobre o Corpo? Qual é mesmo a função ou o papel dos dons? Pode ou não pode? Tem ou não tem? E a ceia do Senhor? O que na verdade acontecia? O que os coríntios não sabiam “discernir”? Em relação à ressurreição, no capítulo 15? São perguntas que vão surgindo automaticamente durante a leitura da epístola em questão, e, as respostas, somente o contato mais sereno com o texto e boas leituras, é que nos ajudarão se não responder a tudo, nos encaminhará para uma direção mais confortável.
Helmut Köester convida-nos para uma visita rápida, mais bem detalhada aos Coríntios, identificando algumas das perguntas feitas acima, trazendo esclarecimento bem sucinta em torno da epístola. Decidi partir de Köester, por se tratar de um dos melhores estudiosos do Novo Testamento, e, também, por não abandonar em suas obras, a questões históricas em torno do texto. Köester informa-nos de um possível escritos aos coríntios, mesmo antes da composição da 1ª epístola e que se encontra hoje perdida, estando fragmentada em 1 Co 5,9, e que, alguns estudiosos (não cita quem), suspeitam de estar inserida em 2 Co 6,14-7,1. Porém, esses escritos não são Paulinos, deixa bem claro que são escritos judaico cristã, que foram inseridos nos escritos paulinos posteriormente.
Paulo encontrava-se em Éfeso quando escreveu a epístola, por volta do inverno entre os anos 53-54. Qual seria o motivo principal da composição da epístola aos coríntios? Köester nos indica a tentativa do apóstolo conter certas liberdades, enfatizadas por alguns membros de pensamento mais elevado, confundindo assim com isso, a compactação e unidade da comunidade. Em sua análise, Köester não apresenta um grupo específico, onde o apóstolo defende sua autoridade (pelo menos por enquanto, fazendo isso em 2 Co, quanto questionado sua autoridade apostólica), mais sim, o que ele denominará de “rito de mistério”, que eram pessoas da própria comunidade de Coríntios, que acreditavam ou se achavam munidos da sabedoria salvifíca divina, mediada por certos apóstolos que haviam iniciados pelo batismo, recebida pela autoridade de Cristo.
Esse entendimento causava uma confusão em torno do ensinamento consolidado pelo apóstolo na comunidade de Coríntios, e que, essa distorção de certo modo teológica, os distanciava da Cruz de Cristo (1 Co 1,8), levando-os para uma certa liberdade espiritual alienante, que não importava-se com a moral (casamento, sexualidade desenfreada, renúncia do sexo no casamento, práticas ascéticas, etc.), e o bem comum da comunidade. Algumas pessoas em coríntios viviam junto como virgens em casamentos espirituais, deixando pra trás as benesses humana da comunhão e unidade com o outro, libertando-se dos laços terreno e sociais que envolvem o casamento. Por isso, Paulo exortava-os, “não se casam nem se dão ao casamento”. Infelizmente, tem algumas pessoas que vivem uma espiritualidade alienada desse jeito, ainda em nossos dias. Estão “casadas” com o Senhor. Vivem uma escatologia atemporal. Vegetam durante o percurso de sua vida, por se dizerem “espirituais” demais para se envolverem com as coisas do mundo. Não querem saber de absolutamente nada. Não votam, não viajam (quer dizer, viajam, mais somente para o céu) com a família, não experimentam a sexualidade, não sabem sorri, apenas sabem chorar, e suas lágrimas são sempre de dor, por não saberem que o “Verbo se fez carne, e armou tenda no meio de nós”. Essas vidas que são ceifadas de viverem sua humanidade, unidade e alteridade com o outro e com ele mesmo, são o reflexo da nossa gente corroída de ensinos pregados sobre os púlpitos e DVD’s de mensagens dos “homens de Deus” de hoje.
Paulo queria antes de tudo, devolver a humanidade desses irmãos. O papel religioso é devolver a moderação e racionalidade perdida pelas motivações de uma espiritualidade individualista e sem nenhuma obrigação social com o outro. Segundo Köester, Paulo nunca questionou a liberdade que temos em Cristo, mais sim, que essa liberdade não pode nos tirar da condição humana de que represento algo significativo para o outro, por isso, não posso sair por aí fazendo o que quero. O critério de avaliação deve ser sempre a consciência do outro. É por isso que temos que discernir bem as coisas, até onde estamos causando as boas ou más impressões aos mais “fracos” na fé? Onde está a nossa praticidade com o pobre e marginalizado? Discernir o corpo é compartilhar com o sofrimento dos desesperançados e dividir o pão com o faminto que o mundo globalizado e capitalista tirou dos desfavorecidos pela guerra da posse e poder, enchendo de riqueza a classe burguesa da sociedade.
Por isso o apóstolo fala tanto de Corpo. A Igreja é o corpo. O corpo só funciona em unidade, com os seus membros interligados e trabalhando juntos para o bem estar do mesmo. No corpo não há lugar para individualidades, estrelismo (dons espirituais que envaidece apenas um), vida desolada, para o eu. O exercício do processo religioso é a percepção e conhecimento espiritual não prejudicial da comunidade, feita e alicerçada no exercício do amor. Koester deixa isso bem explícito. “Nenhum carisma por si pode provar a presença de Deus no seio da comunidade, exceto um: o amor”. É em forma de poema didático que Paulo evidência que o amor é a real presença da eternidade, porque o restante tudo passa (1 Co 13,13).
Em relação à ressurreição do corpo, existiam alguns que negavam sua identidade, motivados pelos entusiastas espirituais que tinham retornado ao antigo Adão espiritual e que o Adão terreno ficou para trás. Paulo é contra a tal insinuação e considera que ainda vivemos à imagem do Adão terreno e que o futuro ainda não se realizou. A ressurreição não é um evento atemporal, mais sim, evento histórico, que está ligado a vinda futura de Cristo, que como diz Köester, “assinalaria a ressurreição de todos os crentes”.
O autor mostra – nos o que se esperava de coríntio: uma comunidade que viva como um corpo (unidade, koinonia), que rejeita as individualidades, que se empenha no exercício do amor, sendo esse o carisma da base cristã e o fundamento da alteridade, discernindo que uma espiritualidade se faz com validade social e com o outro.  

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Estradas brasileiras, Caminhos de Morte!

Hoje, fui levar seu Aurino, um querido funcionário aqui do STBNe em sua casa, porque o carro que viria buscá-lo, simplesmente tomou Doril. Hoje, bem mais atencioso, por que a cidade de Feira passou a data de hoje (02/02/2012), oprimida por aqueles que deveriam, pelo menos nos dar a sensação de segurança. Lá fui eu e o estimado Aurino. Na volta, optei em vir pela Br 116, encurtando o caminho, e, quem sabe, passando por menos riscos que as turvas estradas vazias e das esquinas repletas de traços de medo. Ao aproximar-me do meu destino, em um ponto bem escuro da Br, pude em frações de segundos, avistar cones de segurança. Reduzi imediatamente a velocidade da moto, carros da Federal ao lado, pensei em blitz de rotina, quem sabe? Mais não! Era mais um acidente das estradas brasileiras, arrebatando mais uma vida.
Senti o pneu, passando por cima de algumas “coisas” que só depois pude me dar conta de que era. A pior sensação da minha vida! Pude refletir em eternos segundos, a existência e a passagem de mais um ser humano por esse kósmos que deflagramos para construir as vias assassinas e seus caminhos de morte. O que realmente construímos? Caminhos para encurtar as distâncias humanas ou para encurtar vidas? Construímos mesmo o que? Vias onde nós humanos trafegamos para tornar a vida mais acessível ou vias onde as máquinas (carros) potentes e cheios de imponência desvirtuam e desumanizam as pobres criaturas, dominadas pelo “poder automotivo” e senso de liberdade, que na verdade, não tem nada de liberdade, apenas cativeiros de ferros, que da lucro as grandes montadoras, e , por isso, o governo colabora com constantes reduções do IPI e outras taxas que cooperam para a disseminação do vírus urbano?
Como já dizia Friedrich Nietzsche, “a vida vai ficando cada vez mais dura perto do topo”. Enquanto não abandonarmos o topo doentio de uma personalidade sedenta pelo “poder automotivo”, alimentada pelo mundo industrial dos possantes alados e sem respeito nenhum à vida do outro, continuaremos a tomar os caminhos das vias negras. Continuaremos a passar com os nossos pneus sobre a sobra da vida humana, onde já saberemos as cenas dos próximos capítulos. Continuaremos com as inflações de conduzir, do caminho da vida para os caminhos de morte.
 Jefferson Vale      

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Uma análise pastoral do consolar, como instrumento terapêutico no Sofrer humano
Essa semana experimentei algo que até o momento era inédito em minha vida. Recebi a ligação de uma irmã da Igreja, aos prantos, informando-me do falecimento de um parente seu. Claro, que, no momento, a primeira reação é a de pânico e um desconforto sem precedente. Mas, você mantém o equilíbrio para levar uma palavra de conforto, apesar, que, palavras nesse momento são como bolinhas de sabão soltas no ar. Você deve tá se perguntando, do por que do meu pânico e qual meu envolvimento com o morto? Bom, vou começar dizendo que, foi minha primeira experiência pastoral em um momento desse. Envolvimento com o morto? Sim e não. Começaremos com o não. Nunca tinha o visto antes. Nunca lhe dirigi uma misera palavra, nunca tinha apertado sua mão, desconhecia o time que torcia, não compartilhava seus segredos, enfim, nada. Por outro lado, sim, porque naquele momento, tive que levantar informações a seu respeito. Claro que não perguntei quase nada que pontuei acima. Não precisou. As pessoas falavam sobre isso. Narravam momentos importantes de sua trajetória vida. Naquele momento, sem perceberem, elas eram autores e autoras de estórias, desprendidas de seus julgamentos infernais, brotando naturalmente do chafariz das lembranças de momentos marcantes do falecido. Naquele momento tornara-se como um memorial vivo. É como se o falecido ainda estivesse vivo, presente, participando do papo, mas não de seu funeral, mais da vida que insiste em continuar.
Pude analisar a função pastoral como instrumentação de solidariedade em meio ao sofrer humano. Não estou falando da utilização de método terapêutico de produção de cura interior, entre outros. Nada disso. Meu prisma é, como a função pastoral abre espaço para aproximação, possibilitando participar de histórias de vidas, partilha de momentos importantes e felizes, assim, como, momentos de medo e insegurança das pessoas.   Lembro-me de 2 Coríntios 1,4: “É ele que nos consola em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus”. Em análise mais apurada desse versículo, o verbo particípio presente ativo nominativo  parakalwn  também significa, confortar, encorajar. É utilizada mais o verbo consolar, nas principais traduções em nossa língua. Nesse caso, o verbo consolar, que está diretamente ligado com o verso 3 “... o Deus de toda consolação”, está em diálogo direto com o substantivo dativo feminino singular qliyei , traduzido por tribulação ou angústia.  Nesse contexto, o verbo consolar, conjugado em nossa língua no presente do indicativo, 3ª pessoa do singular, exprime a situação atual, presente do consolar agindo no substantivo tribulação, dando-o consolo, conforto e encorajamento até para enfrentar a morte. É como se fosse uma ação terapêutica, um momento de refrigério que age diretamente na pessoa que passa por tribulação ou angústia. No contexto, o apóstolo Paulo sofre a ação do Deus de toda consolação. O consolar se transforma no instrumento de alivio (diminuição de peso, descanso) da aflição ou do sofrimento, porque recebe a ação direta do Deus de toda consolação, ou seja, o meu posicionamento em meio às tribulações é de verdadeira passividade (inércia, sem atividade). Pois, é o Deus da consolação que age em mim, ou melhor, é o sujeito que sofre a ação do Deus de toda consolação.  É Ele que nos consola, conforta e encoraja, mas sempre no sentido de continuar a viver, a seguir, a estar pronto para novos desafios que a vida nos trará.

Outro passo importante nesse verso é, que, já que recebemos a ação do Deus consolador em nossas vidas, agora, na parte B do versículo “... para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia...”, somos nós, que, agora saímos da inércia e, passamos a ser o agente da consolação para os que precisam de consolo. Ou seja, a minha posição agora não é de passividade, mas, sim, de terapeuta, para o outro que, assim como eu, também passa pelo sofrimento. Que possamos utilizar esse instrumento, no exercício da área pastoral, para beneficiar nossas comunidades, na ampla e dinâmica arte do cuidar.  


Jefferson Vale

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Novos Céus e Nova Terra na Perspectiva de Isaías 65, 17 - 25
Somos imensamente atraídos, quando se trata do assunto de perspectiva escatológica.  Várias são as perspectivas e caminhos na prisma desse assunto. Particularmente, gosto muito do caminho feito pelo grande teólogo Bultmann, e de sua interpretação da escatologia mitológica. Partindo, que, no linguajar da teologia tradicional, a escatolgia é a doutrina das últimas coisas, e "último" significa aqui o último no decurso do tempo, ou seja, o fim do mundo, que é tão iminente como o é o futuro em relação a nosso presente. Porém, na pregação dos profetas e de Jesus, esse "último" toma camada de um significado mais amplo. Também, a concepção de céu, como a transcendência de Deus que se expressa por meio da categoria de espaço, na concepção do fim do mundo, a idéia da transcendência de Deus se expressa mediante a categoria de tempo. Entretanto, não se trata simplesmente da idéia da transcendência como tal, mas, o que da significado a transcedência de Deus, desse Deus, que segundo o teólogo, nunca nos é presente como fenômeno familiar, mas sim que é o Deus que vem, ocultado pelo futuro desconhecido.  
A pregação escatológica discerne o tempo presente à luz do futuro e anuncia aos seres humanos que este mundo presente, o mundo da natureza e da história, o mundo no qual vivemos nossas vidas e traçamos nossos sonhos, não é o único mundo, mas que este mundo é temporal e transitório, e, em última análise, vazio e irreal frente à eternidade. Bom, se é certo que o pensamento escatológico expressa a compreensão geral humana da insegurança do presente em face do futuro, então, qual a diferença entre a compreensão grega e a bíblica? Os gregos viam no "destino" o poder imanente do além, dos deuses, em comparação com quais os assuntos que tange a esfera humana é vã. Eles não partilhavam da concepção mitológica da escatologia como acontecimento cósmico no fim dos tempos. Com isso, o pensamento grego é similar, comparado ao pensamento do homem moderno frente a escatologia, do que a concepção bíblica. Precisamos que a concepção bíblica renasça, mas, sem a velha visão mitológica, mais com a real visão ameaçadora de que a moderna tecnologia e também a ameaça atômica pode causar a destruição de nossa terra, com o crescente abuso científico e tecnológico do ego e poder humano.
Quando examinamos essa possibilidade, podemos sentir o medo e a ansiedade que levantava naquela época a pregação escatológica do iminente fim do mundo. E é precisamente a intensidade desta percepção que explica Jesus e como os profetas do Antigo Testamento, esperava o fim do mundo num futuro imediato. A justiça de Deus chocava-se com a aposição da vaidade do mundo e das pessoas, e eram sentidas com tanta intensidade que parecia que o mundo estava chegando a seu fim e a crise já havia se instalado. Jesus proclama a vontade de Deus e aponta a responsabilidade humana, fazendo referência aos acontecimentos escatológicos; mas, ele não proclama a vontade de Deus porque seja um escatologista, é um escatologista porque proclama a vontade de Deus.
O texto Isaiânico, tem a importância de alimentar a esperança do povo na direção escatológica, porque pela via histórica esta esperança tornara-se remota, mesmo com o evento do retorno. Os maus tempos do exílio tinham deixado marcas dolorosas no coração do povo. Agora, depois do retorno alegre para a terra de Judá, a situação começava a se complicar. Dessa vez, não era uma ameaça estrangeira, mas a ambição de poder dos próprios compatriotas. As disputas internas pelos cargos ligados aos do Templo de Jerusalém colocavam irmãos em lados opostos a tal ponto de provocar injustiças econômicas, sociais e políticas. Livre do cativeiro, das imposições estrangeiras e das guerras insistentes, agora se viam cativos da sede de poder.
A voz discordante surge de dentro da comunidade de fiéis, um círculo de profetas, que, derrotado no seu projeto participativo para assumir o templo, coloca-se a disposição de Javé e faz ecoar o clamor dos excluídos em busca de justiça. Esse clamor aparece na forma de uma narrativa escatológica que anuncia a proximidade do novo tempo.
A proclamação desse oráculo aparece na promessa de Javé de re-criar tudo de novo. A mensagem profética aponta para feitos extraordinários que todas as maravilhas que foram criadas e todos os feitos anteriores de Javé serão turvados pelo brilho e pela grandiosidade desta nova criação. Este prêmio constituído de alegria e gozo acaba se refletindo também em Javé, que se alegrava e se regozijava com a alegria do povo de Jerusalém, que também era o povo de Javé.        
Nesta nova criação as crianças não irão morrer mais na infância. É anunciado, como parte da nova criação, o aumento da perspectiva da vida de crianças, jovens e anciãos. Diferente do tempo anterior no qual os trabalhadores construíram as casas para patrões e plantavam as lavouras para os estrangeiros colherem, agora construirão e morarão nestas casas, plantarão, colherão e comerão do fruto que plantaram porque a liberdade se instalará finalmente na terra. Toda essa perspectiva estará disponível nas mãos dos eleitos de Javé. Não será para todos. Não será pra quem virou as costas pra Javé, quando Ele chamou. Será para a comunidade fiel que não se corrompeu com o poder ou com as promessas da proposta estrangeira.
Agora, o cansaço do trabalho será recompensados com casas, com frutos, com longevidade, com herdeiros. A conclusão do texto aparece como uma fórmula bastante freqüente na mensagem profética através de uma nova harmonia na natureza, onde inimigos do passado andam juntos e partilham a mesma comida. Embora possa ter sido um acréscimo posterior, o verso 25 "O lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; e pó será a comida da serpente..."  é apoteótico enquanto celebração dessa paz que se estabelece para dar segurança e tranqüilidade aos eleitos de Javé, que já não lembravam mais como era a vida antes dos sofrimentos.         
Portanto, o tema central do texto é que a arrogância do ser humano havia quebrado a harmonia que havia entre ele e o restante da criação. No novo tempo, o tempo da nova criação, a harmonia se estabelece novamente. Com a nova criação todos os projetos se realizam e a paz se torna plena para aqueles/as que foram fiéis e abnegam do poder.
  

Croatto, José Severino. Comentário Bíblico. ISAÍAS: A palavra profética e sua leitura hermenêutica. Vol. III: 56 – 66: A Utopia da Nova Criação. (tradução de Lúcia M. E. Orth). Petrópolis: Ed. Vozes, 2002.

Garin, Noberto Cunha. Estudos Bíblicos, nº 93. A Re – criação Como Realização Da Plenitude Escatológica em Is 65,17 – 25. Petrópolis: Ed. Vozes, 2007.

Reimer, Haroldo. A Tradição de Isaías. Estudos Bíblicos, v. 89, Petrópolis, 2006, p.9-18

Bultmann, Rudolf. Demitologização: Coletâneas de ensaios. São Leopoldo: Sinodal, 1999.