Em umas das belíssimas músicas do irreverente e extraordinário Renato Russo, "Mil Pedaços", do álbum "A Tempestade", que parece mais a dualidade entre a explosão platônica da experiência do amor com uma pessoa (sua presença) e a surpresa de saber que pode ser que não dure para sempre (sua perda). É quando se apresenta a falta, o silêncio dos ambientes e o encontro com a sem graça da solidão. Assim simplifica Renato: "Porque me quebraste em mil pedaços". O que se esperava durar para sempre, encontrou-se com o inesperado término, rasgando por inteiro o ser.
Dizem os críticos que o CD A Tempestade, foi composto no auge da crise do esplendido autor, que veio a falecer pouco tempo depois. Encaro esse álbum não apenas como melancólicas melodias, mais como a forma mais bela de um poeta mostrar de uma forma que poucos estão acostumados a ver.
Sabe, não sei se precisamos em algum momento enfrentar tal dureza de quebradura, se realmente é necessário para tal mortais descobrir que nem tudo dura pra sempre. Que somos transição, inacabados, inexperientes até para coisas e situações que teimamos em dizer que não. Acho que estamos condenados a busca! Que coisas que vivemos rasgam nosso ser sim! Não importa o diâmetro ou espessura de tal pedaço, seja o que viveu ou que deixou de viver, fere ou alivia, alegra ou entristece, esquece ou deixa muitas saudades. Cada um de nós já trilhou ou ainda trilhará por caminhos como estes. A sensação é realmente o da folha de caderno que não temos a paciência de verificar seu conteúdo ou por conter erros e vamos logo rasgando em mil pedaços de variáveis tamanhos. Não temos como colar mais os pedaços que já tiveram a experiência da rigidez da separação do seu antigo estado, pois, há coisas que realmente deve pertencer apenas ao passado.
Então, o que nos resta? Resta seduzir mais a vida para que tenhamos mais coragem de saboreá -la! Que o nosso ser poderá ser rasgado em mil pedaços, pois, os percausos sempre teremos pelo caminho, mais que também poderá ser pleno! É quando matamos a sede da alma com águas repleta de vida. Ousadamente classifico como de tesão pelo respirar e fazer de cada momento como esse a única regra para continuar a seguir vivendo, caso contrário, os pedaços que se rasgaram não serviram de nada. Isso
Jefferson Vale

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